Adultos e Crianças na Pandemia: O que fazer? Como fazer? Porque fazer?

 

Na correria do dia a dia e em meio a afazeres e compromissos,onde pais e filhos estão literalmente confinados, pouco ou quase nada em contacto com os amigos e familiares é comum que famílias acabem tendo um contacto maior com as crianças.Queira no dia a dia compartilhando inteiramente de suas rotinas diárias. Qual a importância de dedicar tempo a elas?Temos que reinventar o tempo inteiro.Que tal brincar?Voltar ao mundo da criança?

O tempo de dedicação a uma criança, nem que seja apenas 30 minutos diário em afazeres domésticos, despertará a sensação amorosa, o afeto necessário ao seu desenvolvimento. O lavar uma louça, o preparo de uma comida, o pedir os utensílios para a realização de qualquer tarefa é trocar afeto!

Pedir a uma criança de dois anos que arrume as panelas no armário com o auxilio do adulto a tornará criativa, desenvolverá o senso de organização e outros requisitos importantíssimos ao seu desenvolvimento.

O adulto é espelho da criança, se o adulto varre o chão a criança tentará realizar o mesmo trabalho, simples e objetivamente. Todas as crianças gostam de brincar com os pais é reforço dos laços afetivos. A participação do adulto no jogo da criança eleva o nível de interesse pelo enriquecimento que proporciona. A criança sente-se ao mesmo tempo prestigiada (- “meus pais brincam comigo!”) e desafiada quando o seu parceiro da brincadeira é um adulto.

Segundo Winnicott (1977), “A criança adquire experiência brincando. A brincadeira qualquer que seja ou em que tempo seja, é uma parcela importante de sua vida. As experiências tanto externas como internas, a troca, podem ser férteis para o adulto e para a criança essa riqueza encontra-se principalmente na brincadeira e na fantasia.”.

Por exemplo:- brincar de escalar o pai ou a mãe traz segurança, confiança e é divertido para ambos, concordam?

Em conformidade com Winnicott (1977), “como as personalidades dos adultos se desenvolvem através de experiências da vida em seus afazeres e compromissos, assim as das crianças evoluem por intermédio de suas próprias brincadeiras e das invenções de brincadeiras feitas por outras crianças e por adultos.” (págs. 162,163).

É no brincar, no elaborar com a criatividade nata de cada criança, a levará a aprender a observar, se realmente dermos a atenção de verdade, uma maneira de o adulto transmitir a forma de ver as coisas.

  1. Que atividades os pais podem desenvolver para passar mais tempo com as crianças?

São inúmeras! Basta terem os adultos e crianças a criatividade, concordam?

Primeiro o aconselhamento de marcar a hora, sempre colocando o relógio em pauta. Explicar a criança o inicio, meio e fim da brincadeira contida no tempo. Este ajudará a manter o compromisso na brincadeira e no seu término. Basta dizer como ficará os ponteiros do relógio no inicio e no termino da brincadeira. Simples e objetivo?

No uso da criatividade que tal sugerir a criança o brincar com corpo? Brincar com papel? Adultos de todas as idades poderão relembrar brincadeiras e até mesmo redescobrir o encontro entre amigos, celebrando nas brincadeiras uma convivência saudável, relaxante. Poderão exercitar o raciocino lógico, a elaboração de suas emoções, despertando a criatividade tão fundamental a construção de soluções para a complexidade de coisas que administramos em nosso cotidiano, apenas nesta troca: Adulto- Criança-Adulto.

Quem já brincou de amarelinha? Bolinhas de gude? Soltar Pipas? Fazer a ginástica dos bichinhos – Ser um canguru? Uma centopeia? Um coelho? Quem sabe uma girafa? Um trenzinho? E por ai vai… Ser um cavalinho… Uma cadeira de balanço?

E se resolverem brincar ao ar livre (sempre marcando tempo!):

  • Que tal corrida: – a criança ser um carrinho de mão?!Corrida de um pé só?!Corrida de sacos?!
  • Que tal uma bola: – Tipo bola no túnel? Esconder a bola?Inventar?
  • Quem sabe apenas inventar criança e adulto uma história?!
  • Quem sabe fazer um acampamento?Dentro ou fora de casa?

 

Como é possível despertar a confiança da criança?

O que é confiança? É aceitar a opinião do outro, é entregar-se de olhos fechados a alguém. É apego?

A criança quando nasce é só confiança, entrega-se inteiramente aos cuidados dos pais ou cuidadores. Ao encontro dos olhares, do ato de acolher, acarinhar, dar atenção e suprir todas as suas necessidades. À confiança nasce além deste momento, em formação o feto já confia intensamente, espontaneamente. Percebe os sons das vozes, reconhece os afetos e se apega. Quando acontece o seu crescimento a ponta da desconfiança, do medo surge de acordo com as experiências que irá somando no decorrer de seu desenvolvimento, é a força oposta, onde realça a necessidade de análise, os questionamentos: Porquês?Somos Seres Sociais.

Perde-se então a confiança instintiva, aquela que é parte da natureza humana.E vem a desconfiança!

– Como retorná-la? A confiança integra quando as crianças se sentem respeitadas, compreendidas, encorajadas e tendo o acolhimento necessário em uma situação de perigo em que o medo se apodera e vai de encontro à desconfiança.

Por exemplo: Aprender a andar de bicicleta? Acredito que todos nós ou boa parte de nós tenha se sentido desamparado a se deparar em apenas duas rodas?

O dialogo e o respeito é a ponte maior de compreensão para o estabelecimento da confiança entre adultos e crianças. Outro exemplo seria à apresentação do ciúme e da rivalidade. Como lidar com essas emoções?

A confiança é um valor muito importante na educação das crianças que deve ser alimentada constantemente com amabilidade e cordialidade. A tolerância superará as dificuldades na busca da confiança, esta alimentação são os valores estabelecidos de maneira amorosa, afetuosa para que a criança se sinta protegida e amada.

Que tipos de “presentes” imateriais são importantes na formação da criança?

O velho e o novo em muitas brincadeiras da atualidade se misturam, encontram-se. Entretanto, existe um processo de cruzamento sociocultural em que o tradicional e o moderno se misturam através das novas tecnologias de comunicação que fazem parte da contemporaneidade.

Ao compreender que nessa integração entre passado e presente, o papel da tradição é muito menos significativo. A modernidade e o novo sobressaem e, aos poucos, ocupa os espaços que antes eram exclusivos do brincar e das brincadeiras herdadas do passado. É justamente nessa dinâmica que se encontra o perigo, ou seja, o patrimônio cultural imaterial, especificamente as brincadeiras tradicionais podem acabar ou modificar o seu sentido.

Consequentemente, os presentes ditos imateriais são aqueles que possam trazer o lúdico com criatividade tipo elaborar um livro de histórias no encontro de adultos e crianças para presentear. Elaborar um concurso de desenhos e os três primeiros lugares será exposto a “obra de arte”. E teatro?

Desta forma, Dr.Benjamin Spock em seu livro Meu Filho Meu Tesouro (1968) nos dá uma visão de que o brincar é um negocio sério. Em sua explicação nos ensina:

“Quando vemos crianças fazendo construções com cubos, fingindo serem aviões e aprendendo a pular corda, pensamos em nosso raciocínio complicado de adulto que são apenas diversões completamente diferentes das ocupações sérias, tais como estudar as lições ou ter um emprego.” (pag317).

Em uma continua explanação, Dr.Benjamin fundamenta que “quando o bebê passa o chocalho de uma mão para a outra, quando aprende a engatinhar ou quando garotinho (a) puxa uma caixa de papelão ao longo do assoalho, fingindo que é um trem, está concentrado no trabalho aprendendo coisas a respeito do mundo.”.

Como esse tipo de cuidado pode afetar o desenvolvimento da criança?Como assim! Afetar?

O cuidado que deveremos ter em mente é não deixarmos nossas crianças no mundo virtual, onde nada e ninguém são reais. O desenvolvimento de uma criança ocorre quando esta encontra o outro, troca ideias e experiência saudáveis. Os brinquedos simples são os melhores, pois são cheios de imaginação. Pais se sentem tristes quando não podem comprar um carrinho de controle remoto para seus filhos ou algum que ele possa pedalar ou uma casinha de brinquedo para a sua menina.

Pensar então quantas coisas as crianças poderão fazer com uma caixa de papelão? Pense nisso e deixe brotar a sua imaginação!

Referencias bibliográficas:

Winnicott D.W. A Criança e o seu Mundo. 4ªEd. Editora Zahar: Rio de Janeiro, 1977.

Spock, Benjamin. Meu filho Meu Tesouro. 13ªEd. Editora Record: Rio de Janeiro, 1968.

Winnicott D.W. O Brincar e a Realidade. Editora Imago: Rio de Janeiro, 1975.

Brandão, H.& Froeseler, M. O Livro dos Jogos e das Brincadeiras para todas as Idades. Editora Leitura: Belo Horizonte, Minas Gerais , 1998.

 


 Maria Aparecida Gomes Costa -PSICOLOGA CLINICA E HOSPITALAR –  CRP 05/40509 Especialização em Psicologia Analítica Junguiana- IJEP (2018-2020) Especialização em Transpsicomotricidade -UERJ (2015 -2017).  Pós Graduada em Formação Holística de base na Abordagem Transdisciplinar Holística UNIPAZ (2013). Pós-Graduada em Psicologia Hospital pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (2012). Pós Graduada em Docência Superior, Instituto Superior de Estudos Pedagógicos (ISEP) Rio de Janeiro (1997). Psicóloga- Universidade Estácio de Sá (2010) – Bacharel em Administração de Empresas-Faculdade Bittencourt da Silva (2002) – Graduada em Licenciatura Plena – Habilitação em Administração e Controle, Contabilidade e Organização Técnicas Comerciais – Faculdade Bittencourt da Silva (1995). Habilitação em Hipnose – Sociedade de Hipnose Médica do Estado do Rio de Janeiro- SOHIMERJ (2012) – Ex. Participante da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins do Rio de Janeiro. ABENEPI (2011) – Capacitação em Saúde Mental para Intervenções Precoces – Comissão de Saúde Primária da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins do Rio de Janeiro (2010). Formação Terapia Floral – Floral de Bach (2012).