Assim como existem muitas formas de acompanhar uma criança, também existem diferentes formas de abandoná-la. O pai ausente, a princípio, é aquele que deixa a mãe física e psicologicamente sozinha na criação do seu filho.

Existem também os que abandonam emocionalmente, mas não fisicamente, entendem que as crianças são de responsabilidade da mãe. Estão presentes no ambiente familiar, mas não acreditam ter nenhuma responsabilidade na criação das crianças. Não falam com elas, não passam tempo com elas, não tem ideia de como anda a sua vida. Limitam-se a pagar as contas e a dar uma ou duas ordens, de vez em quando, segundo lhe convém. São órfãos de pais vivos.

O impacto negativo destas marcas é muito intenso. Quão nocivo é o abandono afetivo na vida de um ser, se tornando um alicerce de grandes parte dos casos de depressão, ansiedade, transtorno de pânico e uma série de doenças psicossomáticas, ambas originadas no desamparo emocional.

Quando as estruturas não são construídas de forma sólida e plena, as lacunas em algum momento da vida virão à tona. Recebo diariamente pacientes adultos funcionando pela via do desamparo que passaram uma vida inteira sobre efeito de ansiolíticos e antidepressivos, porém suas demandas continuaram intactas. Em determinados diagnósticos o tratamento medicamentoso é uma via complementar no tratamento, porém por se tratar de um complexo psíquico, as raízes e as causas psicológicas e emocionais do indivíduo precisam ser evidenciadas.

Crianças sempre necessitarão de afeto, de afago, de olhar, de palavras assertivas e sobretudo, de espaço de expressão, esses são atributos essenciais para o desenvolvimento da saúde psíquica.

Dr. Rodrigo Freitas